EBITDA, é o número mágico da gestão?

Muitas pessoas me perguntam sobre o EBITDA, como ele funciona e porque está sendo usado por algumas empresas como o principal índice para tomada de decisão, então vamos entender melhor como ele funciona.

EBITDA é por definição o POTENCIAL de geração operacional de caixa, isso quer dizer que ele pretende demonstrar quando de caixa a empresa consegue gerar levando em consideração apenas a sua operação, portanto ele é um indicador Financeiro. Ele é calculado pegando-se o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações, por isso em português ele pode ser chamado de LAJIDA.

O EBITDA foi criado com a intenção de comparar o resultado de empresas que se encontram em países diferentes, já que quando tiramos os juros e impostos do cálculo estamos retirando o efeito do custo país do índice e nos dá a possibilidade de verificar com um único indicador qual a empresa que está tendo um melhor resultado, independente do ambiente econômico em que ela se encontra. Com base nisso, um grupo de investidores começou a usar o EBITDA para decidir em qual empresa colocaria seu capital e ele se tornou a mola mestra para o aumento do valor de mercado de empresas que cotizam em bolsa.

Porém, algumas questões devem ser colocadas nesse momento para que possamos intender melhor o seu conteúdo.

Em primeiro lugar, como vimos, o EBITDA é um indicador Financeiro, pois pretende mostrar a geração de caixa da empresa. Sendo que quando realizamos o seu cálculo partimos de uma demonstração Econômica (DRE), seria isso correto? Na realidade NÃO! Os fluxos econômico e financeiro são bastante diferentes e não podem ser utilizados de forma aleatória, o que transforma o EBITDA em um número amorfo.

Existe uma frase que diz que “o EBITDA foi o melhor número que inventaram para esconder todos os erros de gestão” e eu estou completamente de acordo com essa definição, já que esse número pode ser facilmente manipulado, porém o resultado de longo prazo pode ser fatal para a empresa e isso tem sido demonstrado na prática por diversas organizações que estão passando um grave aperto econômico e financeiro por confiar cegamente nesse índice. Por exemplo temos a Claro que gerou um EBITDA fantástico de 944,9 milhões de reais no último trimestre, representando um aumento de 14,6% com relação ao mesmo período do ano anterior, porém teve um prejuízo de 781,3 Milhões de reais no mesmo período, já que esse número não leva em consideração o efeito dos juros pagos por necessidade de financiamento empresarial que, no caso da Claro, impactou em 1,4 Bilhões o resultado do período.

Outra falha perigosa é que no EBITDA não se leva em consideração o ciclo financeiro da empresa, que pode ser bastante impactado por negociações erradas de prazos de recebimento e pagamento, além do giro do estoque junto a seus clientes e fornecedores. Com isso o gestor pode estar acreditando que a empresa tem um bom resultado financeiro e ser pego de surpresa pela necessidade alta de capital de giro no curto prazo, o que tem ocorrido com uma quantidade considerável de empresas.

Portanto, o EBITDA não deve ser usado como único número na tomada de decisão empresarial, sendo necessário muito cuidado em sua utilização para que não tenhamos consequências desastrosas para as empresas. Por outro lado, devemos estar sempre observando este índice, já que o mercado ainda usa ele para análise.