Insight de Investimentos – oportunidades na crise

Nas maiores crises surgem oportunidades que não devem ser relevadas. Neste artigo sugerimos algumas boas possibilidades de investimento que podem ser encontradas nesse momento turbulento do mercado.

A SELIC, taxa básica de juros determinada pelo Banco Central, refere-se ao principal indicador de taxa livre de risco que compõe o retorno mínimo exigido pelos investidores nas suas decisões de investimentos. No entanto, na maioria das vezes, ela não corresponde às taxas praticadas no mercado e sua variação acaba afetando o rendimento de vários outros ativos. Nesse contexto, é muito importante que o investidor esteja atento a possíveis altas futuras da taxa de juros, uma vez que sinaliza um aumento da rentabilidade de uma série de outros papéis públicos e privados indexados a essa taxa.

Quando falamos de investimento, é necessária uma abordagem completa, que não só discuta rentabilidade/liquidez, mas também risco, perfil do investidor e garantias.

Dando um exemplo: quando falamos de títulos prefixados, estes apresentam retorno nominal fixo no vencimento, porém estão sujeitos ao risco inflacionário, ou seja, a perda de rendimento pela inflação, conhecido como rendimento real. Essa é razão pela qual os prefixados normalmente têm suas taxas elevadas pois exigem um “prêmio de risco pela inflação”. Já os títulos Tesouro IPCA+, que são indexados a um índice de preços (IPCA), pagam juros reais, que funcionam como uma proteção inflacionária.

No mundo dos investimentos cumpre também comentar sobre a necessidade de garantias. Existem investimentos que tem uma rentabilidade acima do mercado, mas esbarram no quesito garantia.

Alguns ativos – como CDB, LCI, LCA (Certificado de Depósito Bancário, Letra de Crédito Imobiliário e Letra de Crédito do Agronegócio) – contam com a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que é uma associação civil e sem fins lucrativos, que protege o capital e a rentabilidade dos investidores contra surpresas como falência do banco ou não pagamento das aplicações, especialmente em momentos de crises sistêmicas como o COVID-19. Esses
investimentos possuem proteção total até o valor de R$ 250.000 por CPF (apenas pessoa física) e por instituição financeira. Ou seja, não é recomendável aplicar mais que R$ 250.000 em uma mesma instituição. Já outros ativos – como debêntures, CRI e CRA (Certificado de Recebíveis Imobiliários e do Agronegócio, respectivamente) – tem uma atrativa rentabilidade, porém em geral não possuem garantia do FGC, e sim garantias empresariais, que dependem de uma análise minuciosa dos indicadores econômico-financeiros corporativos.

O aspecto tributário também impacta diretamente na escolha dos investimentos, onde se destacam a LCI e a LCA, ambas isentas de Imposto de Renda sobre seu rendimento, assim como as não garantidas pelo FGC: debêntures incentivadas, CRI e CRA, que dependem de performance empresarial. Outros investimentos como CDB e Letras de Câmbio, possuem tributação decrescente de acordo com o prazo de permanência do investidor (que varia de 22,5% a 15% sobre o rendimento).

No cenário de pandemia mundial, percebemos que políticas monetárias e fiscais expansionistas estão sendo adotadas pelo Banco Central do Brasil e pelo Tesouro Nacional no intuito de garantir políticas de renda à população mais vulnerável e no sentido de preservação do fluxo de caixa das empresas (principal variável no momento atual das empresas), a fim de que em 2021 seja possível retomar o crescimento econômico. Cumpre destacar também que o excesso de crédito injetado na economia pode influenciar uma alta de inflação e levar a um aumento da SELIC (saindo de 3% em 2020 para 6% em 2022, já previsto pelo Relatório Focus do dia 20 de abril), que sob a ótica do investidor e de acordo com seu perfil, sinaliza uma oportunidade de investimento em títulos de natureza pós-fixada.