Linhas de Crédito e Inflação

No momento atual de crise, a grande preocupação do Governo e do Banco Central é estimular a economia, como forma de auxiliar a população mais vulnerável e preservar o fluxo de caixa das empresas, em especial pequenos e médios empresários que dependem diretamente da venda de mercadorias e/ou prestação de serviços. Dentre as ações relevantes, destacam-se: o diferimento do prazo do FGTS, dilação do prazo do Imposto de Renda e principalmente a oferta de linhas de crédito subsidiadas.

Algumas instituições financeiras apresentam linhas de crédito bem vantajosas no tocante ao custo de financiamento da atividade produtiva, em especial o Banco do Nordeste, que possui taxas da ordem de 3,5% ao ano e sem garantia real, e o BNDES, que financia a modernização da produção agrícola em até 2,5% ao ano. Estas taxas, quando destinadas à recomposição de capital de giro, já sobem em média ao patamar de 6,5%, pois representa maior risco de crédito, já que nem todas as empresas financiam o custo do endividamento com um plano de negócios baseado em projeções realistas de receitas operacionais futuras, que são cada vez mais incertas em momentos de pandemia.

A injeção de liquidez na economia proposta pelo Governo e pelo Banco Central, normalmente tende a gerar efeitos inflacionários, que por sua vez, na histórica econômica, se apresenta de 3 maneiras diferentes:
1ª) Inflação de Demanda – alta de preços gerada pelo excesso de demanda, que no curto prazo também gera aumento de PIB;
2ª) Inflação de Custos – alta de preços gerada pela retração da oferta de bens, comum em casos de crises sazonais, como na crise dos caminhoneiros, e que acompanha recessão no PIB;
3ª) Inflação Inercial – alta de preços provocada pelas expectativas de uma inflação futura, que leva as pessoas a estocarem produtos, como foi no caso da década de 80, que normalmente afeta mais intensamente a inflação que o crescimento econômico.

No caso do Coronavírus, estamos diante de um iminente choque de oferta, gerador da inflação de custos, porém de um grande efeito reverso ao da inflação de demanda (inflação de demanda às avessas), uma vez que muitos indivíduos sofrem perdas de renda, o que potencializa o cenário de risco quanto a insolvência dos compromissos de dívidas junto aos bancos e tornam cada vez mais a Provisão de Clientes de Liquidação duvidosa, uma variável relevante na projetação de um fluxo de caixa real nas empresas.
Uma vez apresentados os tipos de inflação e de acordo com o Relatório Focus da data de 24 abril, está prevista uma alta da taxa de juros em 2021 (aumento de 1,25% na Meta Selic), fator que influencia mais que proporcionalmente o custo do endividamento corporativo. Desta forma, o pagamento do empréstimo com uma taxa de juros fixa pode ser uma ótima opção quando o negócio tem projeções de crescimento e atenção se o empréstimo possui garantia real.