Precificação Política e Dívida Pública

Um dos índices que sinaliza potencial “perigo” que um país representa para o investidor estrangeiro é o risco país. Como a atual crise tem impactado este indicador?

Um dos índices que sinaliza potencial “perigo” que um país representa para o investidor estrangeiro é o risco país (representado pelo índice denominado Emerging Markets Bond Index Plus – EMBI+), que se traduz na diferença entre a taxa de retorno dos títulos de países emergentes e a oferecida por títulos emitidos pelo Tesouro americano a ser considerado no custo de oportunidade de investidores internacionais, cada 100 unidades equivalem a uma sobretaxa de 1%. Seu cálculo considera as os principais aspectos como o nível do déficit fiscal, as turbulências políticas, o crescimento da economia e a dívida pública de um país.

A atual crise do Coronavírus tem influenciado compulsoriamente um aumento de gastos públicos e a função extrafiscal do poder público, em especial no que diz respeito à desoneração tributária de determinados setores da economia e de políticas de renda para cidadãos que precisam de um subsídio mais imediato. Tal fato, somado às turbulências políticas, caso conjuntural da substituição do Ministro da Saúde e da estrutural dificuldade de negociação do Executivo com a Câmara, acabam gerando maior insegurança para os investidores internacionais, que percebem um maior risco país e optam por alocar seus investimentos em outros mercados internacionais com retornos até menores, porém menor volatilidade.

Essa perda de credibilidade nacional se reflete em fuga de capitais, que tende a gerar desvalorizações cambiais, que segundo o relatório Focus, de 9 de abril, será combatida via aumento da taxa de juros (SELIC) até 2022 no patamar de 6% no sentido de evitar uma possível e não provável inflação, ensejando maior prêmio de risco futuro para os investidores externos em detrimento de influência direta na dívida pública e no investimento produtivo.

Em suma, é primordial que haja convergência política, o que não significa unilateralidade de opiniões e propostas, de forma que o vírus não se estenda para a política e acabe tendo reflexo não só no lado real da economia, como também no mercado de capitais. Um problema de cada vez! A última vez que o EMBI+ alcançou tal patamar elevado foi em fevereiro de 2016, quando do Impeachment da Presidente Dilma Roussef.